BIM como catalisador para a inovação: Nova Participações à frente do maior projeto hidrelétrico da América do Sul
Conversando com Bruno Brunetto, Gerente de BIM da Nova Participações, fica imediatamente claro o quanto o BIM tem sido um divisor de águas no setor de engenharia brasileiro. Desde 2022, o BIM desempenha um papel central em um dos projetos de infraestrutura mais ambiciosos do mundo: a renovação da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Situada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, essa estrutura monumental foi concluída em 1982 e continua sendo um dos maiores complexos hidrelétricos do mundo.
Da adoção inicial à prática padrão
Fundada em 1965, a Nova Engevix Engenharia (empresa que deu origem à holding Nova Participações) tornou-se um ator fundamental no cenário da engenharia brasileira, especializada em projetos de infraestrutura e energia. A empresa, que trabalha com modelos 3D desde a década de 90, começou a explorar e adotar a metodologia BIM em 2015. Com a adoção do BIM no projeto Itaipu, a implementação começou a ganhar proporções maiores. “Foi quando fui contratado para liderar a adoção do BIM no projeto Itaipu”, lembra Bruno. “A partir daí, as coisas decolaram e, ainda naquele ano, fui nomeado Gerente de BIM na Nova Participações.”
Estabelecendo as bases para uma colaboração perfeita
Bruno resume o valor do BIM em termos simples: colaboração aprimorada e integração total. “O BIM coloca todos os envolvidos em um ambiente colaborativo”, explica. “Da manutenção à engenharia, todos começam com as mesmas informações. Isso não só aumenta a qualidade do resultado final, como também ajuda a detectar erros precocemente.”
Em nível pessoal, o BIM transformou completamente o papel de Bruno. “Antes, tudo girava em torno da documentação. Agora, construímos todo o projeto digitalmente antes mesmo de qualquer coisa acontecer no local. É preciso entender todos os aspectos — técnicos e operacionais. Isso torna o trabalho muito mais envolvente.”
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Um desafio de engenharia voltado para a energia
A renovação da Usina Hidrelétrica de Itaipu não é um projeto de curto prazo. Trata-se de um empreendimento que se estenderá por 40 anos, dividido em três grandes fases. Itaipu supre cerca de 10% da demanda de eletricidade do Brasil e impressionantes 88% da do Paraguai. Com 20 geradores e uma capacidade instalada de 14 GW, a usina produz quase 100 bilhões de kWh anualmente, o que a torna um verdadeiro gigante no mundo da energia sustentável.
“Modernizar uma infraestrutura dessa magnitude, mantendo a geração de energia ininterrupta, exige um nível incrível de precisão, planejamento e coordenação digital”, observa Bruno. “Não podemos nos dar ao luxo de uma interrupção, mesmo que momentânea.”
A complexidade é enorme: sistemas antigos construídos na década de 1970, transferência de conhecimento de funcionários veteranos e coordenação com uma vasta rede internacional de parceiros. “Mais de 400 pessoas estão diretamente envolvidas na parte BIM do projeto”, explica Bruno. Isso inclui todas as equipes envolvidas no consórcio CMI, liderado pela GE Hydro Solutions e composto pela CIE e Tecnoedil, bem como diversos fornecedores espalhados pelo mundo, como Índia, França, Estados Unidos e Itália.
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Da fase de CAD à coordenação e às fases operacionais
Antes do BIM, as equipes dependiam muito de desenhos CAD e documentação manual — um processo que frequentemente levava a falhas de comunicação e riscos de interpretação errônea. “Agora, começamos validando os modelos — de geradores a painéis — para garantir consistência e qualidade usando o BIMcollab Zoom”, diz Bruno. “Todo o fluxo de trabalho de coordenação acontece lá. Os conflitos são resolvidos antes mesmo do início da construção. Os modelos IFC são revisados no Zoom e comparados com as especificações do cliente antes de serem entregues às equipes de engenharia.”
A solução Model Quality Assurance do BIMcollab também está sendo usada para alinhar fluxos de trabalho e gerenciar os requisitos do BIM por meio do IDS. “Tem sido uma grande ajuda para garantir a qualidade e evitar retrabalho dispendioso.”
Esse fluxo de trabalho garante que a especificação BIM seja uma base utilizável para as fases subsequentes de manutenção e operação, assegurando cobertura em todo o ciclo de vida do ativo.
Mudando a mentalidade
O maior desafio? Mudar a mentalidade. “Ainda existem pessoas em Itaipu que participaram da construção original na década de 70. Mesmo assim, elas se mostraram surpreendentemente abertas ao BIM”, diz Bruno. A integração de sistemas legados e a colaboração com parceiros que ainda trabalham com CAD também exigem muito da equipe. “Mas estamos progredindo de forma constante.”
Olhando para o futuro, um dos próximos desafios é garantir que os componentes externos do projeto se tornem totalmente orientados ao BIM. “Ainda não chegamos lá, mas a base é sólida.”
Em terreno familiar
Bruno já tinha adquirido vasta experiência com o BIMcollab em sua empresa anterior. Portanto, quando se juntou à Nova Participações, não havia dúvidas: essa era a ferramenta de que precisavam. “A solução Model Quality Assurance do BIMcollab é intuitiva e oferece exatamente os recursos que fazem a diferença para nós. Ela agiliza a colaboração entre equipes e stakeholders.”
Bruno está particularmente satisfeito com o suporte que receberam do BIMcollab. “Trabalhar com pessoas como a Gabriela [Gabriela Sitja Rocha, Gerente de Sucesso do Cliente do BIMcollab] tem sido um verdadeiro prazer. Nos sentimos como verdadeiros parceiros no processo. Também usamos o BIMcollab em outros projetos para validar modelos de fornecedores. É uma solução que simplesmente funciona.”
O futuro digital
O sucesso do BIM em Itaipu abriu portas internamente. Se depender de Bruno, a solução Common Data Environment (CDE) do BIMcollab será implementada em breve para operações e manutenção. Ele ainda não a testou, mas está otimista. “Poder integrar dados operacionais ao modelo BIM seria incrível. Assim, teríamos uma única fonte de verdade, mesmo após a entrega.”
“Graças ao BIM, sinto-me profundamente envolvido em todo o projeto. Tenho visibilidade, clareza e posso verificar visualmente cada detalhe. Isso torna o trabalho não apenas mais eficiente, mas muito mais gratificante”, conclui Bruno. Para alguém que começou com caneta e papel, é um grande salto em frente. E para a Nova ENGEVIX, significa uma coisa: o futuro é digital — e o BIM está no seu cerne.